O milagre não envelheceu —
será que a nossa fé sim?
Será que Deus mudou? Será que Seu poder diminuiu com o passar dos séculos? Ou existe algo em nós que tem segurado a mão do Céu?
Essa é uma daquelas perguntas que a gente faz baixinho, quase sem coragem de admitir em voz alta: onde estão os milagres de antigamente? Lemos sobre o mar se abrindo, sobre cegos que voltaram a enxergar, sobre mortos que se levantaram — e o coração arde. Mas quando olhamos para a nossa vida e para a nossa igreja, parece que o sobrenatural ficou preso lá atrás, nas páginas da Bíblia.
Eu já me peguei pensando nisso muitas vezes. E o que descobri foi que a resposta não está escondida em nenhum mistério distante. Ela está escrita, com todas as letras, no Evangelho — e foi dita justamente sobre a cidade onde Jesus cresceu.
A passagem que muda a pergunta
Vale parar um instante nessa frase. Não diz que faltou poder. Não diz que os planos de Deus mudaram. Diz que foi a incredulidade. O próprio Filho de Deus, em Nazaré, fez menos do que fazia em outros lugares — e o motivo apontado não foi nada do lado do Céu, e sim a dureza dos corações que O recebiam.
Marcos, contando o mesmo episódio, é ainda mais direto:
Repare numa coisa que parece contradição, mas não é. Mateus diz que Jesus “não fez muitos milagres”; Marcos diz que Ele “curou alguns poucos enfermos”. Os dois estão dizendo a mesma coisa por ângulos diferentes: Ele fez sim alguns milagres ali — só que poucos, quase nada perto do que acontecia em outras cidades. A incredulidade não apagou o poder de Deus. Ela o estreitou.
E aí está o detalhe que me faz pensar: o milagre não é um espetáculo de mão única. Ele acontece num encontro — entre o que Deus quer dar e o que o coração do homem está disposto a receber.
Onde a fé recua, o milagre fica contido. Não porque Deus desistiu, mas porque Ele respeita o coração que diz “não”.
O que havia de diferente antigamente
Quando leio o Antigo Testamento e os relatos da Igreja primitiva, vejo gente que vivia esperando. Esperava a chuva, esperava o livramento, esperava ouvir a voz de Deus de madrugada. A fé não era um compromisso de domingo de manhã — era o ar que respiravam.
E hoje vivemos uma situação curiosa. Temos mais Bíblias do que qualquer geração da história, mais pregações, mais música, mais conferências. E, mesmo assim, o sobrenatural muitas vezes virou um assunto teórico, algo que a gente acredita “em tese”. Por que isso aconteceu? Não tenho a resposta completa, mas algumas coisas me parecem honestas de admitir:
- Trocamos a fé pela explicação Onde antes se orava, hoje muitas vezes só se analisa. A razão é boa e Deus nos deu uma mente — mas quando ela vira a única lente, acaba virando também um véu.
- Trocamos intimidade por religiosidade Frequentamos os cultos, cumprimos a agenda, mas raramente buscamos o rosto de Deus em silêncio. É possível saber muito sobre Ele e conhecê-Lo pouco.
- Acostumamos com o sagrado O que deveria nos fazer tremer virou rotina. O nome de Jesus virou bordão; a oração, às vezes, vira protocolo.
- Esperamos pouco Costumamos orar por aquilo que ainda cabe dentro do possível. E talvez por isso recebamos respostas que cabem dentro do possível.
O Deus que não mudou
Sobre uma coisa a Escritura não deixa dúvida:
Ele não envelheceu. Não se cansou. Não revogou nenhuma promessa. O mesmo Cristo que multiplicou os pães e acalmou a tempestade continua vivo e agindo. Então o problema, se existe, nunca esteve do lado d’Ele.
Quando Jesus voltou a Nazaré, as pessoas não conseguiram vê-Lo como o Cristo — viram só “o filho do carpinteiro”, o menino que cresceu ali na rua. E acho que é exatamente isso que fazemos quando reduzimos Deus ao tamanho da nossa experiência. Achamos que já O conhecemos bem demais para esperar d’Ele algo realmente extraordinário.
O caminho de volta
Não acredito que os milagres voltem por técnica, fórmula ou método. Eles parecem florescer onde há uma fé mais simples, quase de criança — corações que ainda se atrevem a acreditar no impossível. Os apóstolos não tinham estrutura nem fama, mas tinham convicção, comunhão e fome de Deus.
Talvez a pergunta certa não seja “por que Deus não faz mais milagres?”. Talvez seja uma pergunta mais incômoda e mais pessoal: o que há em mim que tem deixado pouco espaço para o Céu se manifestar?
O tempo em que vivemos
Preciso ser honesto sobre algo que me preocupa. A sociedade de hoje — e não falo só do Brasil, falo do mundo — tem dado cada vez menos espaço para Deus. No lugar d’Ele, entrou a brincadeira, a zueira, o deboche. Coisas que, pouco a pouco, tentam desvalorizar e deteriorar o verdadeiro Evangelho, como se a fé fosse motivo de piada.
E há uma ferida ainda mais dolorosa, que vem de dentro. Nem todo líder religioso está ali pelos motivos certos. Alguns entram pelo dinheiro, pelo poder, pela influência — e isso machuca. Machuca o agir espiritual dentro da igreja e mancha o nome de Cristo fora dela. Quantos escândalos envolvendo pastores nós vemos por ano? Cada um deles deixa um rastro: mais uma pessoa que desiste, mais um coração que se fecha.
É assim que a incredulidade cresce. Quanto mais o tempo passa, mais gente deixa de acreditar — e o mais triste é que muitas dessas pessoas fecham o coração para Alguém que elas nem ao menos chegaram a conhecer de verdade. Elas se decepcionam com homens falhos e, sem perceber, dão as costas para o verdadeiro amor, o verdadeiro Curador, o Rei dos reis: Jesus Cristo.
E é por isso que preciso dizer uma coisa diretamente a você.
Se você chegou até aqui procurando uma resposta — uma cura, um alívio, um motivo para acreditar de novo — saiba que Ele é real. É verdadeiro. E sim, Ele pode mudar a sua vida.
Não desista de Jesus por causa daquilo que homens fizeram em nome d’Ele. Cristo não falhou com você. Ele continua o mesmo, de braços abertos, esperando não a sua perfeição, mas a sua fé.
Uma Última Palavra
Deus ainda quer fazer maravilhas. A questão é se ainda existe, em nós, terra preparada onde o poder d’Ele possa cair como semente e germinar.
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